BOAS NOTICIAS E BOAS IDEIAS
PARA VIVER MELHOR

BOAS NOTICIAS E BOAS IDEIAS
PARA VIVER MELHOR

HomeNotíciasArara-azul ganha novo bosque com árvores que garantem alimento e abrigo no...

Arara-azul ganha novo bosque com árvores que garantem alimento e abrigo no Pantanal

Curtir:

2

Plantio de 50 mudas, entre elas manduvis usados pelas aves para fazer ninhos, será realizado em área da Fazenda Caiman, em Mato Grosso do Sul

Dois meses depois de voltar à lista brasileira de espécies ameaçadas de extinção, a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) vai ganhar uma ajuda para recuperar parte de seu habitat no Pantanal. Nesta quarta-feira (26), 50 mudas de árvores importantes para a alimentação e a reprodução da ave serão plantadas na Fazenda Caiman, em Mato Grosso do Sul.

A ação é uma iniciativa do Instituto Arara Azul, com apoio do Projeto Água Vida e outros parceiros, e dá continuidade à formação do chamado Bosque das Araras. O primeiro plantio do projeto foi realizado em outubro de 2025, em Bonito (MS).

Entre as mudas está o manduvi, ou amendoim-de-bugre, árvore especialmente importante para a sobrevivência das araras-azuis. No Pantanal, cerca de 90% dos ninhos da espécie são encontrados em manduvis. Em algumas áreas estudadas pelo Instituto Arara Azul, essa proporção chega a 94%.

As aves não fazem os buracos do zero: aproveitam cavidades formadas por pica-paus, cupins, fungos ou pela quebra de galhos e ampliam o espaço para construir o ninho.

Por que plantar manduvis?

O problema é que o número de árvores adequadas à reprodução vem diminuindo. Incêndios, desmatamento e alterações no habitat reduzem a oferta de manduvis e de cavidades naturais, uma das limitações para a reprodução das araras no Pantanal.

“O manduvi é fundamental para a preservação da ave. Porém, a quantidade de árvores dessa espécie vem diminuindo com as queimadas e é importante recuperar esse número”, afirma o fotógrafo e ambientalista Mario Barila, fundador do Projeto Água Vida, que fará a doação das mudas.

O plantio será realizado perto da Base de Pesquisas do Instituto Arara Azul, em área da Fazenda Caiman. Além dos manduvis, serão plantadas árvores frutíferas e outras espécies nativas do Pantanal.

A recuperação das árvores utilizadas para alimentação também é importante. A dieta das araras-azuis na região depende principalmente dos frutos das palmeiras acuri e bocaiúva, segundo o Instituto.

“Com os incêndios recorrentes no Pantanal e os impactos das mudanças climáticas, a arara-azul e seu habitat vêm enfrentando novos desafios”, diz Eliza Mense, diretora-executiva do Instituto Arara Azul.

De volta à lista

A iniciativa ocorre em um momento de atenção renovada à espécie. Em junho, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima atualizou a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção e classificou novamente a arara-azul-grande como Vulnerável (VU).

A ave havia deixado a lista nacional em 2014, depois de décadas de ações de conservação. O trabalho do Projeto Arara Azul começou em 1990, quando a população da espécie havia sido fortemente reduzida pela captura para o tráfico e pela perda de habitat.

A nova lista oficial, publicada por meio da Portaria MMA nº 1.704, incorporou avaliações conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além da arara-azul-grande, outras 179 espécies ou subespécies passaram a integrar a relação de ameaçadas.

Território indígena contemplado

Na mesma viagem ao Pantanal, Mario Barila participará de outro plantio na Aldeia Tomázia, no território indígena Kadiwéu. A ação prevê mudas de manduvi e árvores frutíferas pantaneiras.

As frutíferas poderão ser aproveitadas pela própria comunidade, enquanto os manduvis contribuirão para recompor a vegetação utilizada pela fauna local.

Barila também fará um ensaio fotográfico com integrantes do povo Kadiwéu e seus cavalos. As imagens serão incorporadas ao trabalho do Projeto Água Vida, criado em 2014 e que utiliza a venda de fotografias para financiar ações socioambientais em diferentes regiões do Brasil.

“Cada árvore plantada é também uma oportunidade de devolver à fauna um pouco do espaço que ela perdeu. Quando se trata da arara-azul, recuperar as árvores que oferecem alimento e locais para seus ninhos é ajudar a preservar todo um ecossistema”, afirma o fotógrafo.


Leia mais

+ Sítio de Ney Matogrosso já devolveu mais de 10 mil animais à natureza

+ Animais recebem plano para deslocamento e proteção em rodovias de SP

ARTIGOS RELACIONADOS

Artigos Populares