São Paulo transforma sua história, sua arquitetura e as memórias de seus bairros em uma grande programação cultural a partir deste sábado, 8 de agosto. O Festival do Patrimônio 2026 terá mais de 500 atividades gratuitas em diferentes regiões da capital até o dia 16.
Com o tema “São Paulo: cada olhar, uma história”, o evento reúne 12ª edição da Jornada do Patrimônio, a 4ª edição do Patrimônio à Mesa e a Semana de Valorização do Patrimônio. A programação inclui visitas guiadas a prédios históricos, roteiros urbanos, exposições, oficinas, cursos, apresentações artísticas, museus e feiras de gastronomia e economia criativa.
O festival é realizado pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa e do Departamento do Patrimônio Histórico.
Explore a cidade
Boa parte das atividades se concentra nos dias 15 e 16 de agosto, quando ocorre a Jornada do Patrimônio. Mais de 100 roteiros de memória devem levar o público a conhecer lugares, personagens e transformações que ajudam a contar a história da capital.
Um deles percorre o Pico do Jaraguá e apresenta as diferentes presenças que moldaram a região noroeste da cidade, incluindo os indígenas Guarani Mbya, que ainda vivem no território, e personagens ligados à ocupação colonial. A visita ocorre no sábado, 15, às 10h.
Também haverá uma visita ao Memorial da América Latina para mostrar como o projeto de Oscar Niemeyer transformou a paisagem da Barra Funda e criou um dos principais conjuntos arquitetônicos da cidade. A atividade ocorre no dia 15, às 14h, sem necessidade de inscrição prévia.
Prédios históricos
Entre os lugares que poderão ser visitados estão construções que nem sempre fazem parte dos roteiros culturais habituais da cidade.
O Palácio da Justiça, no Centro Histórico, terá visitas monitoradas e percursos autoguiados com QR Codes nos dias 15 e 16. O público poderá conhecer a história do Tribunal de Justiça e algumas das salas mais importantes do edifício.
Já o Palacete Conde de Sarzedas, construído entre 1891 e 1895 e atualmente ocupado pelo Museu do Tribunal de Justiça, receberá visitas guiadas nos dois dias.
Outros destaques incluem a Casa de Dona Yayá, no Bixiga; o Castelinho da Rua Apa, em Santa Cecília; a Casa Guilherme de Almeida, no Sumaré; e a Casa de Vidro, residência modernista projetada por Lina Bo Bardi, que completa 75 anos. Algumas dessas atividades têm vagas limitadas ou exigem inscrição antecipada.
Memória negra e indígena
O festival também procura ampliar a ideia de patrimônio para além dos edifícios e monumentos tradicionais.
Na Casa de Dona Yayá, duas exposições abordam a presença negra no Bixiga. Uma delas apresenta a história do Quilombo Saracura-Vai-Vai e do sítio arqueológico encontrado durante as obras da Linha 6-Laranja do metrô, com fotografias, instalações e relatos de moradores.
A Capela dos Aflitos, na Liberdade, também estará aberta à visitação. Construída no século 18, ela é um dos últimos vestígios do antigo Cemitério dos Aflitos, onde eram enterradas pessoas negras, indígenas, pobres e condenadas à morte.
No Bom Retiro, a exposição Mergulhadoras de Jeju: patrimônio em profundidade apresenta a tradição das mulheres mergulhadoras da ilha sul-coreana de Jeju, reconhecida como patrimônio cultural imaterial.
Cursos e oficinas
Mais de 100 cursos e oficinas serão realizados em todas as regiões de São Paulo durante o fim de semana da Jornada do Patrimônio.
Entre eles está Bixiga – Território Multicultural em São Paulo, que discute a formação histórica e cultural do bairro e a convivência de diferentes tradições, sotaques e manifestações artísticas.
Na Casa da Imagem, uma oficina ensinará técnicas de colorização manual de fotografias antigas do Centro Histórico. A atividade utiliza aquarela líquida para aproximar os participantes de imagens e paisagens de outras épocas.
A programação inclui ainda encontros sobre arqueologia, arquitetura, memória dos bairros, patrimônio indígena, história ambiental e até a relação entre os cães e as transformações urbanas de São Paulo.
Museus com atividades especiais
O Museu da Cidade de São Paulo participará do festival com mais de 20 atrações distribuídas por seus imóveis históricos.
No Solar da Marquesa de Santos, a exposição Sob os pés da cidade apresenta objetos encontrados em escavações arqueológicas na região central. Os vestígios ajudam a reconstruir aspectos da ocupação humana, das relações comerciais e das mudanças urbanas ocorridas ao longo dos séculos.
A programação do Museu da Cidade inclui ainda rodas de conversa, oficinas, visitas mediadas, dança, música e teatro nos dias 15 e 16.
Outras instituições parceiras, como Museu das Favelas, Museu do Futebol, Fundação Bienal, Funarte, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Centro Cultural Banco do Brasil, também promovem atividades.
Como participar
As atividades são gratuitas, mas as regras variam. Parte da programação tem acesso livre, enquanto algumas visitas, oficinas e cursos exigem inscrição ou têm número limitado de vagas.
A relação completa de atividades pode ser consultada na página oficial do Festival do Patrimônio.
A Prefeitura também disponibilizou páginas específicas com os cursos e oficinas, os roteiros de memória e a programação das instituições parceiras.

