Uma escola indígena que transformou os saberes ancestrais em parte do currículo. Uma unidade de educação infantil onde as crianças não ficam presas a uma sala de aula. Uma escola na Amazônia que aproxima estudantes de olimpíadas científicas e oportunidades antes concentradas nos grandes centros. E outra, no Complexo da Maré, que aposta em acolhimento, tecnologia e criatividade mesmo convivendo com interrupções provocadas pela violência.
Quatro escolas brasileiras chegaram ao Top 10 de suas categorias no World’s Best School Prizes 2026, premiação internacional criada pela organização britânica T4 Education para reconhecer práticas de impacto na educação. São instituições do Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rio de Janeiro, com propostas bastante diferentes entre si.
Além da disputa nas categorias, as 50 escolas selecionadas participam de uma votação popular, que vai definir o vencedor do Community Choice Award. A votação está aberta no site oficial do prêmio.
Saberes indígenas

Em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, a Escola Baniwa Kalipana concorre na categoria Ação Ambiental. Localizada na Terra Indígena Alto Rio Negro, a escola construiu sua proposta pedagógica a partir do próprio território.
O currículo integra os conteúdos previstos na educação formal a conhecimentos dos povos Baniwa e Koripako, tendo como um dos eixos o sistema agrícola tradicional Káali. Agricultura, manejo ambiental, alimentação, cultura, memória e conhecimentos transmitidos entre gerações deixam de ocupar um lugar paralelo e passam a fazer parte do aprendizado.
A proposta procura enfrentar também um problema conhecido em comunidades indígenas remotas: uma educação desconectada da realidade local pode afastar os jovens de sua cultura e do próprio território. Na Kalipana, famílias, lideranças e anciãos participam da construção do modelo educacional.
Conheça a Escola Baniwa Kalipana no site do prêmio
O quê, como, onde

O Centro de Educação Infantil Rosa Mutran Maluf, em Cuiabá, disputa o prêmio de Inovação.
Ligada à Fundação Fé e Alegria do Brasil, a instituição adotou uma metodologia chamada Criancice. Em vez de cada turma passar o dia em uma sala fixa, as crianças circulam por diferentes territórios de aprendizagem, dedicados a áreas como ciência, arte, literatura, movimento, tecnologia e cultura.
A brincadeira, a experimentação e a investigação fazem parte da proposta, que também incorpora práticas de educação antirracista desde a primeira infância.
O projeto chamou a atenção justamente por repensar não apenas o que as crianças aprendem, mas também como e onde aprendem.
Conheça o Centro de Educação Infantil Rosa Mutran Maluf
Ciência e olimpíadas na Amazônia

No Pará, o Centro Educacional Primeiro Mundo, com unidade em Canaã dos Carajás, aparece entre os dez selecionados na categoria Superação de Adversidades.
A escola foi destacada por ampliar o acesso de estudantes de comunidades amazônicas a oportunidades acadêmicas, científicas e tecnológicas geralmente mais disponíveis nos grandes centros urbanos. A unidade atende uma população diversa, que reúne filhos de trabalhadores da região, bolsistas, famílias de diferentes faixas de renda e estudantes de comunidades indígenas.
Em apenas três anos, segundo a T4 Education, os alunos passaram de uma participação praticamente inexistente em olimpíadas acadêmicas para mais de mil medalhas em competições nacionais e internacionais. Entre os exemplos citados pela organização está o de um aluno bolsista que chegou a representar o Brasil em olimpíadas internacionais de astronomia e física.
Conheça o Centro Educacional Primeiro Mundo
Na Maré, uma “Fábrica de Sonhos”

A quarta brasileira fica no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. A Escola Municipal GET IV Centenário também concorre em Superação de Adversidades.
Em um território onde confrontos armados e operações policiais podem interromper as aulas, a escola criou a Fábrica de Sonhos, modelo que combina acolhimento socioemocional, participação dos estudantes e tecnologia.
O dia começa com um momento de conversa entre professores e alunos, criado para que as crianças possam falar de sentimentos, experiências e dificuldades. A escola também mantém um Colaboratório, espaço equipado com recursos como impressoras 3D, kits de robótica, realidade virtual e computadores.
Os números apresentados à premiação ajudam a dimensionar o resultado: evasão zero, frequência superior a 90% e 97% dos alunos alfabetizados na idade esperada. Em 2024, apesar disso, a escola perdeu 37 dias letivos em consequência da violência no entorno.
Como funciona o prêmio
Criado em 2022 pela T4 Education, o World’s Best School Prizes reconhece escolas em cinco categorias: Colaboração Comunitária, Ação Ambiental, Inovação, Superação de Adversidades e Promoção de Vidas Saudáveis.
Dez instituições foram selecionadas em cada uma delas, formando um grupo de 50 escolas de diferentes países. Os vencedores das cinco categorias são escolhidos pela academia de jurados da premiação.
Paralelamente, o público pode votar em qualquer uma das 50 selecionadas para escolher a vencedora do Community Choice Award.
Apesar de estarem separadas por milhares de quilômetros e enfrentarem realidades muito diferentes, as quatro brasileiras têm algo em comum: chegaram à lista mundial mostrando soluções que nasceram dos problemas concretos de suas próprias comunidades.
A votação popular está aberta e pode ser feita no site oficial do World’s Best School Prizes. Veja as escolas e vote!
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