Aos 16 anos, Arthur Alencar Spuri já tem uma coleção de medalhas internacionais que impressiona. Em julho, o estudante de Fortaleza (CE) conquistou o primeiro lugar na Olimpíada Internacional de Economia, na China, com a maior pontuação da história da competição. No início de outubro, voltou a subir ao pódio, desta vez na Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica, realizada no Vietnã.
E Arthur não está sozinho. Nos últimos meses, estudantes brasileiros conquistaram resultados históricos em competições de astronomia, matemática e biologia, disputadas por jovens de diferentes países. Em algumas delas, o Brasil alcançou seu melhor desempenho de todos os tempos.
Da China ao Vietnã
Aluno do segundo ano do ensino médio no Colégio Farias Brito, em Fortaleza, Arthur foi o grande vencedor da nona edição da Olimpíada Internacional de Economia, realizada em Shenzhen, na China, entre 12 e 20 de julho.
O brasileiro superou mais de 260 estudantes de diversos países, incluindo Estados Unidos, Japão, Singapura e China. Com 199,469 pontos, estabeleceu um recorde na competição e se tornou o primeiro sul-americano a liderar a classificação geral.
Arthur também foi o primeiro participante a conseguir nota máxima nas duas provas individuais e integrar a equipe vencedora do Business Case, desafio coletivo em que os competidores precisam apresentar soluções para problemas econômicos e empresariais.
A conquista veio poucos dias depois de outra medalha: a prata na Olimpíada Internacional de Física, disputada na Colômbia.
O interesse de Arthur pelas competições começou ainda no ensino fundamental, incentivado pelo pai, Osvaldo Spuri. Os dois costumavam resolver problemas de matemática juntos, como uma brincadeira. Com o passar dos anos, o estudante ampliou seus interesses para física, economia e astronomia.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Arthur contou que, ao descobrir que havia vencido a olimpíada na China, resolveu fazer suspense com os pais. Enquanto ele subia ao palco para receber os prêmios, a família acompanhava a cerimônia pela internet, surpresa com a quantidade de conquistas do filho.
E a coleção cresceu novamente em outubro: Arthur conquistou a medalha de prata na Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica, realizada em Hanói, no Vietnã, entre 25 de setembro e 5 de outubro. Foi sua terceira medalha internacional em três áreas diferentes em menos de três meses.
Mais conquistas brasileiras
Do interior do Pará ao ouro em astronomia
Na mesma competição em que Arthur conquistou a prata, outro brasileiro chegou ao lugar mais alto do pódio. Eyke Cardoso de Souza Torres, de Ourilândia do Norte, no Pará, ganhou a medalha de ouro na Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica.

A delegação brasileira voltou do Vietnã com cinco medalhas: uma de ouro, uma de prata e três de bronze, num dos melhores resultados do país na história da competição.
Além de Eyke e Arthur, receberam bronze Biatriz Soares Silva, Jailson Henrique Godeiro Neto e Isaac Victor de Araújo Santos.
1º lugar em matemática na Argentina
Na 41ª Olimpíada Ibero-Americana de Matemática, realizada entre 6 e 13 de setembro, em Buenos Aires, a equipe brasileira terminou em primeiro lugar, com três medalhas de ouro e uma de prata.

Os ouros foram conquistados por Enzo Holanda Sampaio, do Ceará, Erick Akira Koga, de São Paulo, e Rafael Alves Amiune, do Rio de Janeiro. Paulo Jônatas de Oliveira Pimentel Leite, também do Ceará, ficou com a prata.
O resultado garantiu ao Brasil o título de campeão da edição, segundo a Olimpíada Brasileira de Matemática.
4 brasileiros, 4 ouros em biologia

Na Olimpíada Ibero-americana de Biologia, disputada entre 30 de agosto e 5 de setembro no Instituto Butantan, em São Paulo, todos os quatro representantes do Brasil conquistaram ouro — um feito inédito para o país na competição.
Os campeões foram Caio Heronville Machado, de Minas Gerais; Caio Nascimento Gonçalves Marques, de São Paulo; Luca Oliveira Santos do Carmo, do Ceará; e Theo Daltro Santos Camilo, de São Paulo.
A competição reuniu 57 estudantes de 16 países, com provas teóricas e práticas em laboratório. Os brasileiros haviam sido selecionados por seu desempenho na Olimpíada Brasileira de Biologia e passaram por uma preparação no próprio Butantan.
O resultado foi o melhor da história do Brasil na competição. A instituição publicou uma reportagem sobre a conquista, com fotos e depoimentos dos estudantes.
As conquistas mostram uma face do talento brasileiro que nem sempre recebe a mesma atenção dedicada às competições esportivas. São adolescentes que passam meses — muitas vezes anos — estudando e se preparando para provas internacionais, representando o país em áreas tão diferentes quanto economia, astronomia, matemática e biologia.
E, como Arthur e os outros medalhistas demonstraram em 2026, o Brasil também tem motivos para comemorar quando a disputa acontece nas salas de aula e nos laboratórios.
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