A brasileira Nina Silva acaba de conquistar, pelo segundo ano consecutivo, o BRICS Women’s Startup Contest, competição internacional voltada a negócios liderados por mulheres dos países que integram o bloco. Em 2026, o reconhecimento veio pelo trabalho desenvolvido pelo ecossistema do Movimento Black Money (MBM), na categoria Education and Skill Development — Educação e Desenvolvimento de Habilidades.
A premiação foi realizada em Nova Délhi, na Índia, durante a semana do BRICS. Em 2025, Nina já havia vencido a mesma categoria, na modalidade Scale-up, com o Afreektech, braço educacional do Movimento Black Money.
Criado para estimular e dar visibilidade a startups comandadas por mulheres, o concurso avalia os projetos por critérios como impacto e sustentabilidade, inovação, viabilidade comercial, capacidade de expansão, tecnologia e formação de parcerias.
Educação, tecnologia e autonomia econômica
Fundado por Nina Silva e Alan Soares, o Movimento Black Money nasceu com a proposta de fortalecer a autonomia econômica da população negra por meio de educação, empreendedorismo, tecnologia, comunicação e serviços financeiros.
O ecossistema reúne diferentes iniciativas. Entre elas está o Afreektech, plataforma dedicada à formação de empreendedores e jovens negros em áreas como tecnologia, negócios, finanças e marketing.
Segundo dados divulgados por ocasião da premiação, o Afreektech reúne atualmente 20 mil alunos ativos, enquanto cerca de 50 mil pessoas já participaram de formações gratuitas em áreas como dados, inteligência artificial e educação financeira. Mais de 5 mil negócios negros também teriam recebido apoio em processos de digitalização, crescimento e acesso a capital.
O objetivo é fazer com que capacitação e acesso à tecnologia se traduzam em geração de renda, empregos, negócios e patrimônio dentro da própria comunidade negra.
Conheça o Movimento Black Money
Do mercado de tecnologia ao próprio ecossistema
Antes de se dedicar ao empreendedorismo, Nina construiu uma longa carreira no setor de tecnologia. Administradora de formação, atua há mais de duas décadas em tecnologia, gestão de negócios e transformação digital e afirma ter participado da entrega de mais de 100 projetos de tecnologia ao longo da carreira.
Sua passagem pelo ambiente corporativo também ajudou a moldar o projeto que viria depois. Nina já relatou dificuldades para encontrar outras mulheres e pessoas negras em posições de liderança e decidiu buscar formas de ampliar essas oportunidades por meio de um ecossistema próprio.
O Movimento Black Money surgiu em 2017 com essa proposta: fortalecer a circulação de recursos dentro da comunidade negra e criar condições para que profissionais e empreendedores tenham acesso a formação, mercado e capital.
Além do Afreektech, o ecossistema desenvolveu iniciativas como marketplace para negócios negros, plataforma de vagas e projetos ligados a serviços financeiros e conexão entre empreendedores e consumidores.
Próximo passo é ampliar atuação internacional
A conquista na Índia pode ajudar a levar esse modelo para além do Brasil. Durante a viagem, Nina integrou uma delegação empresarial brasileira coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e participou de atividades como o BRICS WBA Women-Led Development Summit e o BRICS Business Forum.
Segundo informações divulgadas após a premiação, uma das metas agora é ampliar a presença do Movimento Black Money em países do BRICS e de língua portuguesa, especialmente nas áreas de educação, tecnologia, digitalização de negócios e acesso a capital.
A expansão combina com um dos objetivos do próprio BRICS Women’s Startup Contest: aproximar empreendedoras de investidores, lideranças empresariais e formuladores de políticas públicas dos países do bloco e estimular parcerias capazes de atravessar fronteiras.

