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SUS amplia tratamentos e serviços para HIV, diabetes, leucemia e doenças raras

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O Sistema Único de Saúde começou a ampliar, em 2026, o acesso a medicamentos, tecnologias e serviços destinados à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento de diferentes doenças. Entre as novidades estão a distribuição nacional de uma insulina de ação prolongada, a incorporação de uma nova terapia contra a leucemia mieloide aguda e ações para levar a medicina genômica aos serviços de referência em doenças raras.

Na prevenção do HIV, o Ministério da Saúde anunciou ainda que pretende avaliar a incorporação da PrEP injetável de longa duração. A tecnologia, que reduz a necessidade de tomar comprimidos todos os dias, ainda precisa passar pela análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, a Conitec.

As medidas não estão todas na mesma etapa. Algumas já começaram a chegar aos pacientes; outras foram incorporadas e precisam ser implementadas; e há também tecnologias que ainda estão em avaliação. Entenda o que muda em cada área.

Insulina de ação prolongada chega a todo o país

O SUS começou a distribuir nacionalmente a insulina glargina, medicamento de ação prolongada usado no controle do diabetes. Diferentemente da insulina NPH, que pode exigir mais de uma aplicação diária, a glargina mantém efeito por cerca de 24 horas e geralmente é administrada uma vez ao dia.

Nesta primeira etapa, o medicamento será destinado a crianças e adolescentes de 2 a 17 anos com diabetes tipo 1 e a pessoas com 70 anos ou mais com diabetes dos tipos 1 ou 2. A substituição da NPH pela glargina será feita gradualmente, com acompanhamento das equipes de saúde.

A mudança pode facilitar a rotina dos pacientes, reduzir oscilações da glicose e diminuir o risco de episódios de hipoglicemia, especialmente durante a noite. A oferta nacional também amplia uma transição que vinha sendo realizada inicialmente em alguns estados.

Segundo o Ministério da Saúde, o público atendido poderá ser expandido à medida que a distribuição for consolidada.

PrEP injetável pode ampliar prevenção do HIV

Outra novidade está na prevenção do HIV. O Ministério da Saúde anunciou que encaminhará à Conitec a proposta de incorporação da PrEP injetável de longa duração.

A profilaxia pré-exposição, conhecida como PrEP, é utilizada por pessoas que não vivem com HIV, mas estão expostas a maior risco de infecção. Atualmente, o SUS oferece versões orais, tomadas diariamente ou em um esquema sob demanda, conforme orientação dos profissionais de saúde.

A versão injetável é administrada em intervalos maiores e pode ser uma alternativa para quem encontra dificuldade em manter o uso regular dos comprimidos. A tecnologia, no entanto, ainda não está disponível no SUS: sua incorporação precisa ser avaliada pela Conitec, responsável por analisar evidências de eficácia, segurança, custo e impacto para o sistema público.

Desde a chegada da PrEP oral à rede pública, 356 mil pessoas já iniciaram a profilaxia no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. A inclusão de uma opção de longa duração pode ampliar a adesão e permitir que cada pessoa escolha, com acompanhamento profissional, a estratégia mais adequada à sua rotina.

Nova combinação amplia tratamento da leucemia

O SUS também incorporou uma nova alternativa para pessoas com leucemia mieloide aguda que não podem receber quimioterapia intensiva.

O tratamento combina os medicamentos venetoclax e azacitidina e é destinado principalmente a pacientes idosos ou com condições clínicas que aumentam o risco de complicações nos esquemas tradicionais.

A decisão foi baseada em evidências analisadas pela Conitec. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, os estudos indicaram que a combinação apresenta eficácia superior no controle da doença e pode aumentar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes mais frágeis.

A leucemia mieloide aguda é um câncer que afeta a medula óssea e provoca a produção acelerada de células sanguíneas anormais. A doença costuma avançar rapidamente e exige início ágil do tratamento.

A incorporação amplia as possibilidades para pacientes que, até então, tinham opções mais limitadas. Depois da decisão de incorporação, o Ministério da Saúde precisa organizar protocolos, aquisição e distribuição para efetivar a oferta na rede pública.

Medicina genômica pode reduzir a espera pelo diagnóstico

Na área de doenças raras, o Ministério da Saúde iniciou um curso nacional para capacitar profissionais do SUS no uso da análise genômica.

A formação, realizada em parceria com a Fiocruz, tem carga horária de 160 horas e reúne profissionais dos Serviços de Referência em Doenças Raras. O conteúdo vai dos fundamentos da genética à interpretação de exames capazes de identificar alterações no DNA.

Cerca de 13 milhões de brasileiros vivem com alguma doença rara, e aproximadamente 70% dessas condições têm origem genética. Em muitos casos, os pacientes passam por diferentes consultas e exames antes de receber uma resposta.

A análise genômica pode ajudar a reconhecer a alteração responsável pela doença, orientar a conduta médica e oferecer informações relevantes às famílias. A formação também prepara a rede para ampliar o uso do sequenciamento completo do exoma, exame que analisa regiões do DNA associadas à produção de proteínas.

Uma iniciativa-piloto do Ministério da Saúde está estruturando a oferta desse sequenciamento em parceria com laboratórios do Instituto Nacional de Cardiologia e da Fiocruz. O objetivo é testar o fluxo de realização, interpretação e emissão dos laudos antes de uma expansão progressiva.

Saúde também chega por plataformas digitais

As novidades do SUS em 2026 não se limitam a medicamentos e exames. Projetos digitais vêm sendo usados para alcançar públicos que enfrentam dificuldades de acesso presencial.

A plataforma Pode Falar, desenvolvida em parceria com o Unicef, oferece escuta e acolhimento gratuitos a adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. Os atendimentos podem ser anônimos e são realizados por estudantes de áreas como psicologia, medicina e educação, sob supervisão de professores. A capacidade anunciada é de 11 mil acolhimentos mensais.

No Ceará, o projeto Telemaré permite que pescadores de Itarema recebam orientações médicas mesmo durante viagens em alto-mar. Cerca de 600 trabalhadores, distribuídos em aproximadamente 100 embarcações, podem acessar teleconsultas, receitas, informações sobre medicamentos e protocolos para acidentes.

As embarcações permanecem no mar por períodos de 45 a 60 dias. Em situações mais graves, a equipe médica pode orientar os primeiros cuidados e avaliar a necessidade de retorno ao litoral.

O que já está disponível e o que ainda depende de avaliação

As iniciativas estão em estágios diferentes:

  • A insulina glargina já começou a ser distribuída nacionalmente aos públicos definidos para a primeira etapa.
  • A combinação de venetoclax e azacitidina foi incorporada ao SUS para um grupo específico de pacientes com leucemia mieloide aguda.
  • A formação em medicina genômica já começou, enquanto a oferta do sequenciamento completo do exoma está em fase piloto.
  • A PrEP injetável ainda será avaliada pela Conitec e, portanto, não está disponível na rede pública.
  • Os projetos de saúde mental digital e telemedicina já atendem públicos específicos.

Além de ampliar o acesso a tratamentos, as medidas mostram uma transformação mais ampla no SUS: tecnologias antes concentradas em poucos centros começam a ser incorporadas à saúde pública, enquanto ferramentas digitais ajudam a levar atendimento a pessoas que estavam distantes dos serviços tradicionais.

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